top of page

Carta de apoio à permanência das versões impressa e on-line da Revista Pesquisa FAPESP

Atualizado: 15 de mar.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou recentemente a criação de uma nova plataforma integrada de divulgação científica, que reunirá a revista Pesquisa FAPESP, a Agência FAPESP e o boletim Pesquisa para Inovação sob a gerência de comunicação da fundação.

Trata-se de um movimento institucional de grande alcance, que reconfigura a forma como a ciência paulista se apresenta ao público e centraliza fluxos editoriais historicamente autônomos. 

No entanto, ao fazê-lo, o novo modelo parece prescindir justamente do principal ativo simbólico e editorial construído ao longo de mais de duas décadas: a revista Pesquisa FAPESP como espaço de jornalismo científico independente, crítico e especializado.

A revista não é apenas um canal de divulgação. Ela consolidou-se como referência nacional em jornalismo científico, com identidade editorial própria, curadoria rigorosa e compromisso com a mediação qualificada entre ciência e sociedade. Isso sem abrir mão da edição impressa, o que é uma raridade e um movimento de resistência no mercado jornalístico hoje em dia. 

A revista conta com tiragem média mensal de 28,5 mil exemplares, é distribuída de forma gratuita para pesquisadores que têm projetos financiados pela Fapesp e é também enviada a bibliotecas, escolas e outras instituições de ensino. Além disso, dispõe de cerca de 5 mil assinantes pagos e vende em torno de 800 exemplares por mês em banca. Todo o conteúdo produzido é também disponibilizado gratuitamente no site.

Diluir essa experiência em uma estrutura comunicacional subordinada à lógica institucional implica riscos concretos à autonomia editorial, à diversidade de abordagens e à própria credibilidade construída ao longo do tempo.

Além disso, qualquer transformação dessa natureza deveria observar, com ainda mais cuidado, os princípios da transparência, da publicidade e da participação, especialmente quando se trata de iniciativa financiada com recursos públicos e voltada à divulgação de pesquisa também custeada por financiamento público.

Desde sua origem, na década de 1990, a Revista Pesquisa FAPESP é fruto de uma construção cuidadosa em jornalismo científico e ajudou a moldar a maneira como a ciência brasileira é narrada e pensada no espaço público. 

Ela se caracteriza por reportagens analíticas e interpretativas sobre a ciência nacional e internacional, dando especial ênfase à ciência produzida em São Paulo e ainda abrindo espaço para fontes de outras regiões brasileiras e até de outros países. Ou seja, é influente no mercado brasileiro e projeta uma ciência plural a partir de diferentes centros de pesquisa por aqui e lá fora. 

Reorganizar é legítimo. Modernizar é necessário. Mas enfraquecer um patrimônio editorial consolidado em nome de uma integração administrativa pode significar empobrecer o debate científico no país.


*A Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComCiência) foi fundada oficialmente em 4 de fevereiro de 2019. Desde então, reúne profissionais e pesquisadores interessados em aprimorar a qualidade do jornalismo e da comunicação de ciência no Brasil. Saiba mais: https://www.redecomciencia.org/


Assinam este documento jornalistas, divulgadores científicos, cientistas e cidadãos que apoiam a comunicação pública da ciência. A lista de adesões foi encerrada no dia 12 de março de 2026. Totalizam, abaixo, 2065 nomes de apoiadores de todas as regiões do Brasil e do Exterior.


Também tivemos, além da RedeComCiência e das assinaturas de pessoas físicas, as seguintes adesões institucionais (em ordem alfabética):


Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

Instituto de Estudos Ambientais – Mater Natura

Instituto de Estudos Avançados e Convergentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN)

Instituto Mario Schenberg

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP)

Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica (SBPR)

Universidade Federal do ABC (UFABC)



Lista de adesões de pessoas físicas (2065 adesões) - Atualizada em 15/03/2026, às 14h00. Para a lista completa de adesões acesse este link



Comentários


Post: Blog2_Post
bottom of page